“Isso tudo se tornou um jogo com o propósito de descobrir quem é o mais forte. Admito que não sei jogar tão bem quanto você. Não sei esquecer quando é preciso, não consigo ver o mundo com clareza e não sou tão esperta quanto você. Pensei que seria fácil, que para mim já estava ganho, mas pude notar que não possuo nem metade da frieza que você tem. Sim, você é frio. Na verdade você se tornou frio. Você se desprendeu de mim, soltou minha mão e seguiu em frente com sua vida. Nas primeiras semanas eu também havia conseguido, mas eu não consegui suportar saber que nunca mais o teria. Por vários dias fiquei esperando por você, pendurada na janela da sala, mas nem rastros de você. Mas eu já sabia que isso aconteceria, pois você não volta atrás com sua palavra. Sempre foi assim, você sempre foi o orgulhoso, cabeça dura e turrão. E eu? Bem, eu sempre fui a menina bobinha, que acreditava em tudo o que você dizia, que lhe esperava em casa com abraços calorosos e beijos transbordando ternura. Me ensina? Me ensina como é isso de esquecer tão rápido as pessoas? De verdade, eu queria saber a fazer isso também, eu queria ser mais como você, desprendida do mundo, das pessoas, não ligar para a opinião alheia, dar valor apenas à mim mesma e esquecer rápido tudo o que foi dito e prometido? É que, por mais que eu tente, nunca vou chegar aos teus pés no quesito desapego. Eu sempre serei a menina que vai correr atrás feito um cão atrás de seu dono; sempre colocarei os outros como prioridade em minha vida até que todos me esqueçam e eu esteja sozinha. Eu sou assim mesmo, completamente errante, presa demais a sentimentos, não irei expor minha opinião se eu souber que o que eu disser irá te afetar de alguma forma. E sabe o que te ter longe de mim me fez enxergar? Que eu sou boa demais. Pois é, logo eu, que sempre odiei meninas fracas, ingênuas demais e que sempre choram pelo leite derramado. O leite derramou e eu me debulhei em lágrimas. Mas de que adiantaria chorar? Isso não o traria de volta, nada o traria porque você é um completo imbecil e orgulhoso. Eu te perdi pra sempre e você está me perdendo aos poucos. E sabe de uma coisa? Você foi tarde demais. Quer continuar com o seu joguinho? Pois bem, siga com ele, mas não pense que eu continuarei sendo movida por você e seu incrível poder de persuasão. Se eu perder, não tem problema algum, pois eu perdi apenas um jogo com o intuito de saber quem suportava a distância e a dor por mais tempo, mas sabe o que você realmente perdeu? Você perdeu a mim.” (Eduardo Pellucci - unbroke-n)
